sexta-feira, 12 de junho de 2009

A Morte da Proxémica


A morte da proxémica

A Proxémica como a definiu Edward T. Hall, já não pode ser aplicada no seu todo às novas tecnologias da comunicação como as conhecemos hoje.

É possível que ainda se mantenham nos casos, cada vez mais particulares, que o antropólogo as definiu, mas estão no resto mortas e enterradas.

Como definir hoje um não lugar e, como se aplica a proxémica nestes casos?

Como se aplica, hoje, a dita no meio virtual da Internet e dos meios áudio visuais sem termos de aplicar novas fórmulas que Hall apenas abordou pela rama?

Não teremos nós que nos socorrermos da comunicação extrapessoal para assim podermos respeitar parte do legado de Hall sem o desrespeitar e, ao mesmo tempo, mandar para o caixote do lixo da história uma teoria que já se não pode considerar um postulado, pois que já não se aplica na sua totalidade aos nossos dias e, aos novos meios de comunicação, que provavelmente Edward Hall não previu.

Do que restou da sua teoria, na web, apenas podemos aplicar o extrapessoal pois é ainda o único processo proxémico que se pode dizer, com propriedade, que se aplica no meio virtual que nos é cada vez mais familiar.

Assim podemos dizer que a nossa comunicação homem máquina – comunicação extrapessoal -, e máquina homem, é a única com a qual lidamos no nosso quotidiano.

Como definirmos pois a nossa proximidade com uma pessoa que comunica connosco por vídeo conferência? como definiremos uma ligação a um e-tutor que nos está ensinar por e-learning online? Qual a nossa relação com o nosso companheiro de trabalho que está algures em Singapura enquanto eu estou na Covilhã em Portugal? Como tratar com ele sem o ver e sem ver os seus gestos, a sua distância térmica, o seu espaço olfactivo, o seu raio de acção que ultrapassa os milhares de quilómetros?

Não estaremos já numa nova dimensão que nunca foi explorada pelos nossos antecessores?
Não estaremos, como nos diz Alvim Toffler, numa quarta vaga que nunca tinha sido nem pensada nem profetizada pelos futuristas da nossa globalidade?

As ciências do conhecimento andam a uma velocidade estonteante e a escola – sistema de ensino -, ainda vai num carro puxado por uma parelha de bois.

Pois é, assim não vamos lá, enquanto os nossos professores, garantes do saber de antanho não perceberem que o que ensinam já pertence aos conservatórios e aos museus da história de há dois séculos atrás.

Que significado têm ainda hoje os chamados “direitos de autor”, após serem publicados na web? Não estaremos nós, mais uma vez, a tentar “tapar o sol com a peneira?” que andamos a fazer ao dizermos que não é ético os alunos gravarem uma aula, se já qualquer aluno a pode gravar com uma simples caneta ou o vulgaríssimo telemóvel que todos usamos? Podemos gravar em áudio, visual e, o que nos apetecer e colocarmos na net ainda antes de sairmos da sala de aula.

Quem pretende ainda que o carro de bois se imponha aos rápidos e modernos meios de comunicação, quando os professores ainda não saíram da fase do Power Point.

Não andará o ensino – todo -, a vegetar num cemitério de ideias mortas?

José Manuel Fernandes – Doutorando em Ciências da Comunicação

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